#JeSuisPescadorParrudo

Certa vez tive um professor que comentou algo sobre a sociedade brasileira se comportar como se estivesse em uma novela da Rede Globo, no sentido em que todos estão divididos entre mocinhos e vilões. Onde todo o mocinho é sempre bom e todo o vilão é sempre mal. Lembrei disso nestes últimos dias ao ouvir sobre o ocorrido com o cantor Mano Brown ao ser parado em um blitz por policiais. Em um primeiro momento ouvi pessoas dizendo que ele havia sido discriminado, tratado como um delinquente por ser negro e se vestir como um rapper. Logo em seguida apareceram informações de que ele teria tentado furar a blitz, desacatado os policiais e que teria um histórico de multas não pagas. Claramente observei o cantor e os policiais flutuarem entre vilões e mocinhos em poucos capítulos.

Tenho total conhecimento do péssimo treinamento da maioria dos policias militares no Brasil e seu histórico de preconceito com negros. Assim como o cantor Mano Brown tem, de fato, diversas multas atrasadas, estava sem documentos e tentou furar o bloqueio. Minha intenção não é tomar partido, mas tentar elucidar de que não vivemos dentro de uma novela onde cada um sempre será só bondade ou só maldade. Afinal de contas, o ser humano possui dentro de si ambas as características e irá aflorá-las de acordo com a ocasião, os hábitos, o caráter, etc.

Para deixar mais claro o que tenho discursado até agora, tenho outro bom exemplo de como isso acontece. Ayrton Senna do Brasil é ídolo nacional e exemplo de honestidade, bom caráter, solidariedade, perseverança, etc. Não há brasileiro que não tenha (nem que seja um pouquinho) orgulho de ter tido um cidadão compatriota tão honorário quanto o Senna. Pois bem, poucos se lembram que 1990 nosso grande piloto se chocou com Alain Prost, o segundo colocado da classificação geral da F1, na primeira curva da última corrida do campeonato. Isso fez com que os dois saíssem da corrida e, consequentemente, o tupiniquim conquistasse o título. Era a última chance do francês passar Senna e ser campeão mundial, mas foi impedido em 15 segundos de corrida. Atitude dentro do regulamento, mas totalmente antidesportiva.

Na verdade, tudo que tange o ser humano permeia entre o certo e o errado, mas nunca exclusivamente em um dos extremos o tempo todo. Somos todos suscetíveis à falhas e decisões equivocas de acordo com as circunstancias, a cada momento. A palavra-chave, de novo, é bom senso. Deu de ficar procurando o culpado e o inocente em cada situação que aparece, pois ninguém é santo e nunca será.

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Inveja ou hipocrisia?

“Ele ganha um salário daqueles para bater um pênalti assim?”

A partir da metade do século XX, o futebol deixou de ser um mero esporte para se tornar um negócio de proporções imensas. Desde então, tem proporcionado vastas movimentações financeiras ao redor do globo, mobilizado massas em todos os cantos do planeta e motivado a organização de eventos de grande porte, tais como a Copa do Mundo, sediada pelo Brasil em 2014. Como qualquer negócio, o futebol envolve uma série de agentes: atletas, dirigentes, árbitros, empresários, torcedores e jornalistas, entre tantos outros, cada um atuando em busca dos interesses da entidade que representa.

Diferentemente da maior parte dos negócios, no entanto, o futebol engloba paixão. Tal relação impede que as decisões tomadas sejam as mais sensatas e favorecem a adoção de medidas drásticas por todos os envolvidos, que não hesitam na hora de buscar resultados favoráveis para seus times. Ainda, destaca-se o fato de que, especialmente no Brasil, os clubes de futebol não só não visam ao lucro, como também não estão preocupados em evitar o prejuízo, posição que se sustenta em virtude do ambiente econômico e político em que estão inseridos.

Neste contexto, vale lembrar que a maioria dos agentes relacionados ao futebol não tem nele sua única fonte de renda nem depende dele para sua sobrevivência. Enquanto dirigentes brasileiros continuam sendo amadores e dedicando somente suas horas livres para a gestão dos clubes que representam, empresários investem em outros segmentos para garantir seu fluxo de caixa, árbitros possuem uma profissão regular (muitas vezes distante do esporte) e os próprios torcedores têm um envolvimento relativamente baixo com o futebol, que ocupa pouco espaço em suas rotinas. Assim, percebe-se que os grupos de profissionais que efetivamente precisam do futebol para sustentar suas famílias são raros e, dentre estes, o que tem maior relevância é o dos atletas.

Ser um jogador de futebol parece fácil. Viver com uma bola nos pés, ser idolatrado por uma torcida e receber um salário astronômico são algumas das vantagens que se pode enumerar no que tange à vida de um atleta. Contudo, é muito importante que se reflita sobre elas. A começar pela questão da remuneração: conforme a pergunta que iniciou o texto, é bastante comum que o desempenho dos jogadores seja atrelado (pela torcida e pelos jornalistas, principalmente) aos valores recebidos a título de salário e de direitos de imagem. Entretanto, cabe ressaltar que o patamar a que se chegou não resultou de uma pressão sindical ou de solicitações feitas pelos atletas, mas foi derivado de uma intensa competição entre os clubes, que deixaram de trabalhar com cifras razoáveis há muito tempo e abriram seus cofres para cometer uma série de “loucuras”.

Quem, em sã consciência, negaria um excelente salário quando há alguém disposto a pagá-lo? Ainda mais considerando que um jogador de futebol tem em torno de 20 anos para fazer o seu “pé de meia”, enquanto grande parte dos profissionais dispõe de 40 anos para fazê-lo… Isso sem contar todos os descontos que incidem sobre sua remuneração, sejam eles legais (tributos, por exemplo, que representam uma fatia considerável, ao menos no Brasil) ou decorrentes das negociações realizadas (empresários ambiciosos não faltam, e a formação incompleta de muitos atletas e de suas famílias proporciona um ambiente perfeito para que os mesmos “tirem uma casquinha”).

Em um ambiente como este, o jogador de futebol virou nada mais do que uma mercadoria, desprovido de livre arbítrio e submetido às vontades e às necessidades dos agentes e do clube que o “pertence”. Em virtude do endividamento que assombra as equipes brasileiras, muitos atletas têm sido negociados com times estrangeiros, afastando-se compulsoriamente da cultura com a qual estão acostumados e passando por um difícil processo de adaptação, que envolve, seguidamente, um novo idioma, uma alimentação diferente e até mesmo um estilo de jogo completamente diverso. Claro que existem vários casos de sucesso, mas não é incomum que tais indivíduos passem por dificuldades consideráveis, entrem em depressão e anseiem pela volta à terra natal.

Ainda, é importante considerar a pressão à qual os jogadores de futebol estão submetidos de maneira constante. Com uma vigilância intensa por parte da mídia e um nível de exposição extremamente alto, todo atleta que atua em um clube de expressão tem problemas em conduzir sua vida privada, seja em virtude do assédio em momentos de “alta” ou da cobrança em ocasiões em que os resultados negativos predominam. Soma-se a isso o fato de que o jogador passa a estar cercado por inúmeras pessoas interessadas em desfrutar do seu estilo de vida, o que dificulta a distinção daqueles em quem se pode confiar e que continuarão ao seu lado nos períodos mais complicados.

Enfim, destaca-se que os atletas não devem ser tratados como “vítimas do sistema”, mas precisam ser julgados como seres humanos (e não como máquinas), capazes de cometer erros, dotados de sentimentos e com uma série de problemas para resolver, como qualquer pessoa “normal”. As críticas que vêm de todos os lados parecem ter duas origens: ou são advindas da inveja de indivíduos que gostariam de estar no lugar dos jogadores e os culpam por cada deslize ocorrido ou da simples hipocrisia de profissionais que também vão para festas quando suas empresas estão com dificuldades, que recebem ótimos salários e nem sempre acertam nas suas decisões e que não hesitam em trocar de emprego quando dispõem de uma oferta melhor. Em suma, é fundamental que os jogadores de futebol sejam analisados com base no seu desempenho em campo, sem que sua remuneração e sua vida particular sejam fatores preponderantes na sua avaliação.

Obs.: seria possível estender o tema e abordá-lo sob outros aspectos, mas preferi não deixar o texto ainda maior. Não sei se minhas ideias se fizeram claras. Espero comentários e feedbacks daqueles que se interessam pelo assunto e que possuem uma opinião formada a respeito do mesmo.

Viajo porque preciso, volto pra lá porque preciso

Acontece em várias sextas-feiras, no Globo Repórter: a Glória Maria encontra um brasileiro em algum lugar do mundo, que diz que viajou para aquele país, foi ficando, encontrou um/a companheiro/a e decidiu ficar de vez. Por que isso é tão comum?

Se você fizer intercâmbio, algum dia, saiba que ao menos uma coisa você vai ganhar após esse processo: saudade. Saudade dos momentos, das pessoas, das viagens? É claro, mas quero falar aqui sobre algo que nem sempre é citado: saudade da cidade. A cidade é um elemento às vezes abstrato, que transcende toda a experiência da viagem, que nos faz ver as coisas de forma diferente e nos move durante todo o intercâmbio.

Desde que voltei de Lisboa, em 2012, tinha um sentimento muito forte de falta, de alguma coisa que faltava na minha rotina. Faltava a cidade. Portugal é um país totalmente subestimado pelos brasileiros, quando deveria ser reconhecido como nossa pátria-mãe. Mas é um lugar incrível, seja para fazer turismo, conhecer a história ou mesmo apreciar a gastronomia, que é sensacional, do boteco mais sujo ao restaurante mais chique. A cidade de Lisboa me intrigava, pelo simples fato de ser tão incrível e, ao mesmo tempo, tão contemplativa, nada daquela grandiosidade que eu esperava do Velho Mundo. Porto Alegre, por exemplo, é maior e (muito) mais urbana que Lisboa.

A viagem a que me referi no texto anterior me levou de volta, preencheu o espaço que identificava desde 2012, e me fez valorizar ainda mais as cidades. Mas, curiosamente, me fez valorizar mais as outras cidades que visitamos – Porto e Madri – e não me marcou tanto em Lisboa, muito em função dos problemas de saúde que tive por lá, mas também por algumas razões subjetivas e intangíveis. Parece até que a viagem a Lisboa representou um alívio, um gatilho para que eu pudesse pensar novamente em conhecer outros locais, outros países, outros continentes.
(Aliás, recomendo fortemente que conheçam estas três cidades. Porto é uma cidade que parece extraída de um filme antigo, e Madri parece ligada nos 220V, 24 horas, muita gente, muitos lugares, muito o que aproveitar).
Por que a cidade é tão marcante? Parece-me que existe uma explicação básica. O intercâmbio pressupõe a necessidade de independência, de sair da zona de conforto, de ficar longe da família e de outros entes queridos. Pressupõe também que a pessoa deva sair, caminhar, conhecer, viver aquela experiência ao máximo, pois ela tem prazo de validade. Quando estamos presos a uma rotina, tendemos a não viver a cidade dessa forma e a considerar sempre as mazelas de maneira mais destacada.
Experimente, um dia, viver como um turista em sua própria cidade. Guiei um estrangeiro por Porto Alegre, há uns dois anos, e recomendo a experiência. A gente começa a ver as coisas de forma diferente, a valorizar mais alguns aspectos que não conseguimos notar em nosso cotidiano.
Nos primeiros dois dias dos seis meses em que morei em Lisboa, fiquei preso em casa, sem fazer nada, admito, com medo. A partir do terceiro, decidi sair, conhecer, ‘me jogar’. Esse é o espírito que quero levar para todas as próximas viagens. Por qual razão existem as tais pessoas que conseguem ficar e são entrevistadas no Globo Repórter? Acredito que é uma questão de perspectiva. Depende das perspectivas que o cidadão possui no Brasil comparadas àquelas que ele tem na nova cidade, e do grau de comprometimento com seus entes queridos; mas certamente a perspectiva de morar naquela cidade que ele ‘viveu’ intensamente e uma boa dose de loucura falam mais alto. Antes que me corrijam, o “viver” aqui é verbo transitivo direto, é viver uma experiência, nesse caso em forma de ruas, avenidas, bares, albergues, metrô…

Vida, esse eterno perde e ganha

Quem me conhece sabe: sou um pessimista incorrigível. E, como todo pessimista, defendo que sou “realista”, mas a verdade é que toda pessoa realista acaba sempre tendendo a ver o copo “meio vazio”, como se diz por aí. Ser pessimista me impede de ser feliz? Não, mas às vezes parece que, quanto mais negativa a pessoa é em relação ao seu exterior, mais expectativas positivas ela gera em seu psicológico sobre tudo que acontece, e mais vezes se frustra.

Essa semana, me fizeram uma pergunta interessante: qual foi a maior derrota e a maior vitória em sua trajetória pessoal e profissional? Confesso que pensei muito, tentei lembrar de vários momentos, mas tive dificuldade para citar, tanto uma quanto a outra. A nossa vida é cheia de problemas e obstáculos, muitas vezes complicadíssimos. Mas “derrota”? “Vitória”? São palavras fortes, e acredito muito mais em tratá-las como decepções e alegrias. Ao ver outras pessoas respondendo a essa pergunta com mais consistência do que eu, comecei a lembrar – como pessimista que sou – das coisas que perdi pelo caminho, nos últimos tempos.

Perdi a oportunidade de arriscar em alguns momentos, de conversar mais abertamente com algumas pessoas, de ser mais flexível, de aproveitar algumas situações sem pensar no amanhã; perdi alguns parentes queridos, me perdi algumas – ou várias vezes.

A ideia para este texto surgiu durante a viagem que fiz com minha família no início de novembro; passamos 11 dias entre Portugal e Espanha (pretendo contar mais sobre isso em outro texto). Logo que chegamos a Lisboa, ou na noite seguinte, veio o baque: este que vos escreve passou mal como nunca antes na história deste país, e precisou de algumas horas de soro em um hospital português para seguir viagem. Resultado: perdi um dia completo da jornada, e por tabela levei minha família junto. Outra: logo que aportamos em Madri, ou quase isso, me perdi dos meus pais, de forma infantil. Eles se desesperaram, mas bastou uma ligação para nos encontrarmos em poucos minutos. Por fim, nessa mesma cidade, ainda perdi um pouco da visão, resultado da intervenção de um cisco maldito, e bati de cara em um poste (foi apenas um pequeno arranhão, felizmente).

Foram situações chatas, difíceis, incômodas, mas que me fizeram pensar. Será que eu realmente “perdi” tanto nessa vida? Nos últimos 6 anos, ganhei amigos fantásticos, que vejo frequentemente e que me fazem muito feliz; ganhei oportunidades de estágio e trabalho em que pude me destacar e fazer contatos valiosos; ganhei a oportunidade de cursar um dos melhores cursos de Administração do país (em tese, hein); ganhei a possibilidade de fazer viagens inesquecíveis; de fazer um intercâmbio naquela mesma Lisboa, conhecer outras pessoas e culturas e deixar um pouco da dependência familiar de lado; e ganhei a oportunidade de voltar para a Europa com meus familiares em uma viagem que se tornou maravilhosa, apesar desses fatos inusitados.

Já sei por que não consegui citar derrotas e vitórias tão facilmente: porque, apesar do pessimismo, minha vida tem girado em torno de experiências e aprendizados, independentemente das coisas boas ou ruins que aconteçam pelo caminho. Não dou estes nomes, mas sei que, se um dia tiver alguma decepção tão grande que chegue a se tornar uma “derrota”, vou lembrar de uma frase que li ontem e que já se tornou a frase que eu vou dizer no dia em que a Marília Gabriela me entrevistar: “Os erros que dão lugar a grandes ensinamentos são aqueles que surgem da coragem de ter optado por um fracasso maravilhoso, e não por um êxito medíocre”.

A bebida como meio de interação social

Buenos Aires, 31 de dezembro de 2005. Com 15 anos de vida e uma cabeça bastante fechada, o jovem Lucas define que jamais irá ingerir uma gota de álcool. Péssima decisão. Decisão que influenciaria diretamente o rumo dos acontecimentos nos anos seguintes. Decisão que só seria revertida de forma totalmente involuntária pelo seu padrinho, que já estava cansado de tanto insistir para que seu afilhado experimentasse qualquer tipo de bebida alcoólica e deixasse de ser tão teimoso. Enfrentando problemas de saúde, comentava em um almoço de família que daria sequência ao tratamento, mas que não deixaria de fazer as coisas de que gostava, tais como caminhar e tomar um cálice de vinho. Uma frase simples e despretensiosa, que mexeu com a cabeça do Lucas de 20 anos e que o fez refletir sobre a decisão tomada lá atrás. Por qual motivo ser tão radical, sem nunca ter experimentado a bebida e sem ter noção das vantagens e desvantagens que a mesma poderia ocasionar?

Porto Alegre, março de 2011. Comemorando o aniversário de um amigo da faculdade, o já não tão jovem Lucas aceita um copo de cerveja oferecido pelo garçom e ouve exclamações de alegria dos demais convidados, surpresos com a iniciativa e incrédulos com o evento ocorrido (não foram poucas as vezes em que eles, também, incentivaram que isso acontecesse). Algo semelhante se passa nos demais ambientes em que Lucas convive, tanto na família quanto junto aos amigos do colégio, e até mesmo na empresa em que trabalha, na medida em que todos se sentem felizes que ele passa a participar dos brindes realizados em virtude do fechamento de novos negócios, fato inédito até então.

É certo que a ingestão de bebidas alcoólicas por qualquer indivíduo é um assunto delicado, que deve ser tratado com certo cuidado. As consequências de um consumo excessivo podem ser desastrosas, principalmente quando combinado com doses significativas de imaturidade e/ou de irresponsabilidade. Passar mal fisicamente em decorrência do volume ingerido ou das misturas realizadas, perturbar o sossego das pessoas que estão por perto e causar acidentes de trânsito são alguns exemplos dos efeitos que o álcool pode gerar. Isso sem mencionar tantos outros acontecimentos, tais como o comércio de bebidas alcoólicas para menores de idade, as propagandas abusivas veiculadas nos meios de comunicação, as brigas entre torcedores de clubes de futebol (comumente associadas ao consumo de mercadorias do gênero) e o alcoolismo, que afeta diretamente os demais aspectos da vida do indivíduo e de seus familiares.

Por outro lado, é preciso considerar os benefícios que a bebida alcoólica pode oferecer. A começar pelo sabor (independentemente do tipo), apreciado especialmente por aqueles que a consomem com certa regularidade. Outra vantagem é o efeito físico gerado pelo álcool, que auxilia no processo de desinibição e no próprio relaxamento do indivíduo, tantas vezes necessário diante de um dia estressante de trabalho. O mais importante, contudo, são as portas que se abrem no âmbito social, principalmente para aqueles que não estão dispostos a “encher a cara”, mas que desejam compartilhar momentos de alegria com seus amigos, sempre de forma consciente e responsável. Afinal, os principais ambientes em que as pessoas interagem estão associados à bebida, dentre os quais é possível mencionar bares, boates, festas e churrascos.

Não se pode atribuir qualquer uma das mudanças ocorridas na vida do Lucas diretamente ao fato de ele ter revertido sua decisão. Também não se pode dizer que a interação social é dependente da ingestão de bebidas alcoólicas. O fato é que seguir uma linha radical e se recusar a consumir tal produto em qualquer situação pode dificultar o convívio de um indivíduo com seus pares, dado que tal diferença acaba pesando na hora de determinar os convidados para um programa, ainda que isso não seja feito de maneira consciente. Em suma, é preciso entender o potencial (positivo ou negativo) do álcool para aceitá-lo ou rejeitá-lo, lembrando que o consumo deve estar acompanhado por uma postura responsável e pelo respeito a determinados limites, garantindo que a atividade seja fonte de momentos de alegria e evitando qualquer consequência prejudicial ao indivíduo e àqueles que o cercam.

A (pouca) importância do futebol em nossas vidas

É quase certo que alguns leitores pensarão que meu login foi roubado e que outro usuário acessou a área restrita e escreveu um artigo em meu nome. Afinal, meu sonho de infância (e de adolescência, e até do início da minha vida adulta) era me tornar presidente do clube de futebol para o qual eu torço. No entanto, as idas e vindas da vida alteram nossos hábitos e comportamentos, e uma das principais mudanças pelas quais passei foi enquadrar o futebol no seu devido lugar. Foi uma conquista conjunta, uma vez que sofri muita pressão para deixar de ser tão fanático e para dar importância para outros aspectos que permeiam a existência do ser humano.

Como todo bom guri, escolhi meu time de futebol em algum momento do qual não me recordo, influenciado pela minha família e, especialmente, pelo meu pai. Enquanto criança, tive muitos brinquedos relacionados ao clube e, na medida em que cresci, fui ampliando meus laços, através da associação à entidade, de um profundo conhecimento a respeito dos jogadores e do comparecimento às partidas em minha cidade. Diferentemente dos demais, no entanto, fiz do futebol a minha vida. Meu humor oscilava em torno dos resultados do meu time, minhas atividades eram determinadas pelo horário dos jogos e meus planos futuros envolviam um vínculo cada vez maior com o ambiente esportivo.

Por sorte (e pela competência de todas as pessoas envolvidas), meu time acabou sendo campeão de tudo. Como nas demais esferas da vida, quando chegamos ao ápice, a tendência é que os passos seguintes sejam menos felizes e intensos, visto que não há mais para onde “subir”. Com isso, abre-se um espaço a ser ocupado por outros itens tão (ou muito mais) relevantes que o futebol, o que permitiu que eu ampliasse os horizontes e entendesse que ainda havia muito para conhecer. A vontade de soltar um grito de gol foi substituída pelo prazer de estar com os amigos, pela alegria de compartilhar momentos especiais com a família e pela satisfação em se relacionar com pessoas novas e desconhecidas.

Isso não significa que o futebol precise ser ignorado ou deixado de lado. No entanto, ele deve servir como uma forma de distração, proporcionando momentos de lazer a serem divididos com pessoas que possuem um gosto semelhante. Deixar que os resultados esportivos afetem as relações sociais e interfiram no comportamento individual é um erro que cometi durante um longo tempo, e só com o passar dos anos fui perceber o que estava acontecendo. Portanto, aconselho (com meus poucos anos de experiência) a todos os torcedores que tratem as partidas de futebol de maneira adequada, evitando qualquer tipo de briga e tirando proveito dos benefícios que o esporte pode proporcionar. Fica a dica!

Retorno da ideia para melhorar a saúde do nosso país

Há alguns dias postei uma ideia para melhorar a saúde do nosso país. Essa consiste na criação de um sistema (software) público nacional, em que todas as informações do histórico médico das pessoas estariam nele registradas (clique aqui para ler na integra). Estou tentando repassar esse projeto para o nosso Governo, a fim de que possa implementá-la. Seguem alguns retornos que eu recebi até o presente momento.

Ao buscar formas de levar a ideia aos nossos representantes no Congresso Nacional, tomei conhecimento de que tanto o Senado Federal quanto a Câmara dos Deputados possuem meios de participação da nossa sociedade, através de portais na internet.

A Câmara dos Deputados possui a ferramenta “Banco de Ideias” – “Por meio desta ferramenta, o cidadão pode apresentar à Câmara dos Deputados suas ideias, as quais são organizadas em temas e ficam disponíveis para consulta dos Parlamentares e das entidades da Sociedade Civil.”

O Senado Federal possui o “Portal e-Cidadania” – “É o espaço institucional online de participação política disponibilizado pelo Senado Federal para que o cidadão brasileiro possa colaborar de forma mais direta e efetiva com o processo de atuação parlamentar e legislativa do Senado.”

Enviei o projeto para esses dois portais e obtive retorno (rapidamente) do Portal e-Cidadania, do Senado Federal. Fui informada de que o mesmo foi aceito e já está registrado no Portal. Há um espaço para que os cidadãos possam expressar o seu apoio à ideia da saúde através do link https://www12.senado.gov.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=30703 Toda a ajuda é super bem-vinda, pois quanto mais pessoas apoiarem o projeto, maior a chance de ser implementado.
Quem puder e tiver interesse, dá uma conferida no portal que é muito interessante. Há vários projetos que pode-se apoiar, além da possibilidade de mandar sugestões legislativas para o Congresso Nacional.

Outra forma descoberta de repassar a ideia ao Governo, é que no site da Câmara dos Deputados e do Senado Federal há uma lista com todos os e-mails dos atuais Deputados Federais e dos Senadores do nosso país. Sendo representantes do povo, esse possível contato com a população é de suma importância. Enviei e-mail a todos, sugerindo a implementação do sistema da saúde. Aproximadamente metade dos e-mails enviados aos Deputados Federais retornaram. Não sei se estavam digitados errados, se suas caixas estavam lotadas, se há bloqueios para receber determinados e-mails, enfim, não sei o motivo dessa quantidade absurda de retorno. O que penso é que se é para colocar um e-mail errado é melhor não colocar. Se eles são os nossos representantes no Congresso Nacional, não há porque existir filtros de bloqueios de recepção dos e-mails. Além do mais, enviei 10 dias antes das eleições, em um período que, teoricamente, os políticos dão mais importância à comunicação junto à população. Imagino quantos e-mails retornam em outros períodos. Por sua vez, os e-mails dos Senadores estavam todos corretos, possibilitando a troca de ideias.

Fui informada que já existe no Brasil o software público E-SUS Atenção Básica (E-SUS AB), ferramenta oferecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde. Esse sistema está em processo de implementação nos municípios. Irá proporcionar inúmeros benefícios a nossa sociedade, visto que todo o histórico do atendimento ao paciente pelo SUS estará registrado eletronicamente. Fico muito feliz em saber que isso está sendo implementado no Brasil. Só considero um benefício muito grande para ser restrito apenas ao SUS. Espero que o sistema seja expandido, contemplando também a iniciativa privada, englobando assim toda a área de saúde do Brasil.

Quanto ao retorno por parte dos médicos, vários elogiaram a iniciativa, afirmando que essa falta de informações atrapalha o diagnóstico de doenças. De acordo com eles, o sistema poderia solucionar esse problema. Um médico informou que esse método já é utilizado na Suíça, Dinamarca, entre outros países. Na Alemanha, inclusive, o sistema já esta presente desde a década de 90. Quem sabe o nosso governo não pode utilizá-los como exemplos?

Enfim, a ideia vai contribuir muito para o nosso país e já foi repassada para os nossos representantes. Agora é só apoiá-la e aguardar a sua implementação. Obrigada a todos que nos ajudaram com a divulgação =)